“ – Como se pode reconhecer o verdadeiro espírita?”

A pergunta da jovem ficou no ar, sem resposta. A explicadora tentou, mas não conseguiu ser objetiva. Poder-se-ia tentar responder com outras perguntas, quais: seriam aqueles que acreditam nos Espíritos? Ou serão, aqueles, os que leem os livros da Codificação compilada por Kardec? Mais ainda: serão os verdadeiros espíritas as pessoas envolvidas com os trabalhos mediúnicos nas Casas Espíritas?

Tarefa ingente a busca de uma resposta, apenas, para transmitir o conceito do ”verdadeiro espírita” para quem chega pela primeira vez à Doutrina. Isto porque é necessário analisar diversos aspectos para que se possa lograr o entendimento.

A Doutrina Espírita – é sabido – nada proíbe a qualquer dos seus profitentes. Em nenhum livro, em nenhuma mensagem avulsa, podem-se encontrar proibições sobre uso e consumo de álcool, fumo, sexo, qualquer tipo de alimento e/ou manifestações verbais. Nenhum vocabulário é criticado. A Doutrina sequer tenta convencer a quem quer que seja, a que acredite em seus conceitos e postulações, com a preocupação de aumentar o número de seus seguidores.

O livre arbítrio individual é sempre respeitado. Segue quem queira seguir, adira quem acredite. Afirmamos, sem medo de errar, que o seu objetivo principal é o atendimento fraterno para o amparo através do esclarecimento baseado no tríplice aspecto “Ciência, Filosofia e Religião” em que ela se manifesta. Com isto busca, a Doutrina, o soerguimento moral das pessoas que dela se aproximam tocadas pelo “processo Dor” tentando que a criatura infeliz se renove, de “motu próprio”, entendendo ser ela a causadora de seus próprios males.

Não obstante, é natural que à medida que as pessoas comecem a estudar a Codificação ou apenas reflitam sobre o conteúdo das diversas mensagens gratuitas distribuídas nas reuniões de atendimento fraterno, percebam os males desdobrados pelo uso de impropérios e citações infelizes, de vez que a palavra proferida, dependendo de sua natureza e do ímpeto com que seja proferida, assume proporções desastrosas.

Aprofundando estudos pela leitura das diversas obras de caráter Espírita, adquirindo novos conhecimentos – mesmo que movidos apenas pela curiosidade – através de conversação com trabalhadores da Seara Espírita, as pessoas que se chegam terminam por descobrir os rigores e o Amor empregados na formação do se próprio corpo físico que proporciona ao reencarnante a benção da evolução via resgates de erros pretéritos. Este conhecimento acaba promovendo a renovação de hábitos alimentares, de vocabulário, de posturas mentais e também favorecendo novas disposições quanto ao entendimento com as pessoas que acreditava serem “difíceis, problemáticas” em seu caminho.

Como se pode perceber, existem diversas vias a serem trilhadas por quem queira abraçar a Causa Espírita. Não basta apenas estudar, ter fé, frequentar reuniões ou trabalhar fazendo por fazer. É imperiosa a renovação, mas sobretudo com discernimento, fé e Amor. Por isso lemos no Evangelho que Jesus, ouvindo de Pedro a pergunta dolorosa sobre como deveriam proceder para serem reconhecidos como verdadeiros discípulos dEle, deixou-nos um último mandamento: “ – Amai-vos como eu vos amo! E nisso sereis reconhecidos como meus seguidores”.

Mais tarde, Pedro escreveria em sua primeira Epístola (I Pedro, 4:8.):

“Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados”.

Não é fácil ser “espírita” na acepção do termo. E é fácil entender o porquê de tanta dificuldade: os postulantes a espíritas são pessoas comuns, não são criaturas privilegiadas. Elas atravessam, também, seus cadinhos, têm seus problemas e obstáculos a serem superados. O detalhe é que, na medida em que aumentam seu conhecimento na Seara dos Espíritos, se recebem mais recursos para fortalecimento de seus trabalhos, têm, também, aumentadas suas carga de responsabilidades.

Fé, exercício inconteste do Amor Fraterno, estudo, trabalho com dedicação e constante verificação na transformação de sua esfera interior, são atitudes que podem qualificar as criaturas ao titulo de Verdadeiro Espírita. Mas até chegar lá, isto já não será a sua preocupação.

Luz e Paz!