“Que vosso amor cresça cada vez mais no pleno conhecimento e em todo discernimento”.  Paulo, Carta aos Filipenses 1,9

O começo por intermédio dos jovens

O amor sugerido por Paulo foi o alicerce da fundação da Associação Espírita Francisco de Assis (AEFA), fruto da iniciativa corajosa de um grupo de jovens espíritas, vindos de outra casa espírita irmã. Em 1949, os jovens José, Acuri, Lucy, Olívia, Glória e Elza fundaram a nossa casa espírita, acompanhados de alguns adultos, entre eles, Sr. Manoel Moura Domingues, Sra. Paula, Sr. Euclides, Cel. Mário Nunes, Comte. José Brás, Sra. Maria Goulart e Sr. Zeferino Affonso (pai das jovens Olívia, Glória e Elza Affonso). Eram inspirados pela espiritualidade superior que os motivava, encorajava e até mesmo os orientava a manter o entusiasmo pelos estudos doutrinários e atividades beneficentes.

A princípio, a luta foi para aquisição do local, até que conseguiram um terreno baldio situado em frente à residência das jovens irmãs Olívia, Glória e Elza – na Rua Gil Gafrée. Foi-lhes dito que pertencia a uma viúva que residia em Niterói. As condições oferecidas atendiam aos recursos disponíveis, ficando acertada a compra, com a colaboração de um advogado idôneo que organizou tudo gratuitamente.

Os recursos monetários vieram de eventos sociais, como chás fraternos, festas juninas, excursões e peças de teatro em suas próprias residências. Reunindo vizinhos e amigos, passavam listas, vendiam doces e criavam várias alternativas com o objetivo de angariar fundos. O primeiro passo tinha sido dado e faltava construir a casa, planos estes certamente já traçados na espiritualidade. Através de festas juninas com vendas de bolos e doces, foram juntando dinheiro para começarem a erguer as primeiras paredes.

Não faltaram irmãos que se uniram à grande causa. Francisco de Assis os observava de perto e os incentivava com muito amor.

O trabalho se inicia

Era preciso trabalhar. E, os trabalhos espirituais tiveram início duas vezes por semana, em um espaço cedido por uma casa espírita coirmã. O Sr. Manoel, com o tempo, construiu com todo o seu amor e talento um encantador barracão em madeira, nos fundos do terreno. E assim, a casa possuía um salão, com uma grande mesa ao centro, onde podiam realizar as primeiras atividades doutrinárias e mediúnicas, com médiuns já desenvolvidos como Glória, Olívia, sua mãe Sra. Maria Affonso e outros.

Foram implantadas a mocidade espírita, com o Sr. Manoel Moura Domingues, grande incentivador dos jovens e a evangelização infantil, com o Sr. Silvio e a Sra. Lucy, que atendiam às crianças da redondeza. Crescimento exige espaço maior. Chegaram para se agregar ao grupo, o Cel. Mário e Sra. Carmem, que fizeram parte da diretoria, conforme atas arquivadas. Com a chegada constante de novos adeptos, o pequeno espaço físico inicial ficou insuficiente, era preciso crescer. Assim, foram lançadas várias campanhas para aquisição de material de construção, como “campanha do tijolo”, “campanha do cimento” etc. Todos se mobilizaram para conseguir com amigos, familiares, no comércio e onde podiam os itens necessários à construção da sede em alvenaria.

Um grupo de homens dedicava os sábados e domingos ao trabalho árduo da edificação da casa. Ainda sob a liderança do Sr. Zeferino Affonso e orientados por um carpinteiro, Sr. Santos, eles aprenderam a confeccionar caixas utilitárias em madeira que eram vendidas ao exército para ajudar na construção da sede própria.

Assim, num trabalho de formiguinhas, onde cada um dava aquilo que sabia e podia, com muito esforço e amor, a sede própria foi subindo, na rua Gil Gafrée. Foram colocados o piso e a laje e então a AEFA possuía um salão, um banheiro e um pequeno espaço reservado para a evangelização.

As atividades do Departamento Social eram realizadas pela mocidade, iniciando com a “Campanha do enxovalzinho para bebês”. Os trabalhos espirituais eram coordenados pelo Sr. Carlos e Sra. Carmem, que foram os primeiros orientadores doutrinários da AEFA.

Trabalho e Amor

A casa de Francisco (AEFA) tornara-se um verdadeiro chamariz de amor. E, mensalmente, sediava o Encontro Espírita da Zona da Leopoldina. Eram comuns os comentários sobre as boas vibrações da casa. Com muita dedicação, “tia” Glorinha e seus familiares, se empenharam na realização de mais uma obra: a elevação do piso do salão, visto que quando chovia o salão enchia de água e as reuniões eram suspensas. O Sr. Santos foi contratado para a realização da obra.

Nesta época, o Sr. Silvio, que era responsável pela evangelização, adoece e a Sra. Marlene Teixeira chega com suas duas filhas, dando um grande impulso às atividades da casa, colaborando com a implantação e organização das variadas tarefas e abrindo grandes oportunidades de trabalho para todos. Sempre orientada pelos benfeitores espirituais, “tia” Marlene foi implantando, organizando e dirigindo as variadas atividades da casa – desde as administrativas, passando pelas sociais, espirituais, doutrinárias e divulgação.

Desta forma, os trabalhos foram crescendo, assim como o número de trabalhadores, deixando clara a necessidade de expansão do espaço físico. Havia um terreno que dava fundos para a sede na Gil Gafrée, com entrada pela a Rua Capitão Bragança. Eram casas muito antigas, cujo proprietário foi contactado para uma proposta de venda. Com a ajuda dos Srs. Renato Weber, Paulo Jancinto, Armando e Alberto Jorge, o lote foi adquirido e construído. Assim, com a colaboração de muitos benfeitores, nasceu o prédio de frente da Rua Capitão Bragança, 82.

E de lá para cá…

Inúmeros trabalhadores mais antigos ou mais novos se empenharam e ainda se empenham para que esta casa continue crescendo com tanta dignidade e amor. Todo trabalho é importante. E, através da contribuição de cada trabalhador que por aqui passou, instrumentos da espiritualidade maior, a história da AEFA foi escrita.

Nossa gratidão a todos os responsáveis pela existência desta instituição e pelas oportunidades de trabalho e crescimento que nos proporciona. A Deus nosso Pai, a Francisco de Assis e a essa plêiade de espíritos Franciscanos, a Dr. Bezerra de Menezes – nos trabalhos específicos em prol de doentes – à tutela de nossa Mãe Santíssima e ao olhar amoroso do Mestre Jesus, queremos deixar o nosso reconhecimento e amor.

 

Diretoria de Assistência Espiritual da Associação Espírita Francisco de Assis, em outubro 2014. Fonte: texto ditado por Olívia Affonso, transcrito por Dora Ribeiro e Irani Fernandes.